domingo, 8 de março de 2009

"A boca é cheia do que transborda o coração"

Esconde-te no recôndito de outra intenção.

Sibila o términal de tua emoção.

Oculta-se, borrifando perfume na tua podridão.

É...

"A boca é cheia do que transborda o coração".
O que era para ser novo,
sopro,
ânima,
fica fadado ao estigma,
do que sempre foi ferina.
Muda-se o julgamento,
quando não há purpurina?
Que lugar é esse?
"É tudo uma questão de poder",
como dizia teu mais espartano guia.
E, continuo aqui,
observando o vazio,
porque todas as ovelhas se desgrudaram do rebanho.
O que será do pastor?
Sem aconchego,
sem comida, cobertor.

Maneiras polidas de rejeição

Pequena fábrica de sonhos,
onde coroas incustradas de tão belas pedras,
são tua produção.
Não te parece que te alimentas de minha própria solidão?
Hoje,
vacilo de meus próprios cuidados ou mergulho em introspecção?
A proximidade da vaidade demonstra um sinal.
Esse meu bem estar, custa-me caro.
Agora, sou alucinada por mim mesma.
Olhares curiosos tentam furtar meu maior bem.
Não permito, nem me comovo.
Maneiras polidas de rejeição,
tiram-me para dançar, ou,
tiram-me da própria dança?
Testo, à força,
meu poder sobre qualquer pessoa.
O afeto nunca é cobrado, meu caro,
mas posso dizer,
na sinceridade seca de meu ser,
que é provado.

Há tempo para tudo

É hora de um presente para mim.
Hora de largar o que apodrece.
Hora de entender,
que fazer,
pode ser por falta de alternativa.
Hora de deixar o tempo passar,
e procriar.
O tempo pára e espera.
Hora de ser respondido,
por tantas perguntas que pulam.
É hora de descansar das sacolas de pedras.
Dos outros.
Hora de pedir por ajuda e ser infinitamente ouvido.
Hora de não fazer nada e observar o tempo.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Daquilo que observo e absorvo.

Assisti ao espetáculo não ensaiado.
Aceitei, o que para mim, poderia ser veneno.
Mas, verti de bom grado.
Repensei tudo o que reclamei.
Calei.
Entendi que nem me falta espaço.
Abençoei cada centímetro.
Sei o quanto foi suado.
Observei que o alimento é união.
E na falta dele?
Conhece-se a face.
Não a verdadeira.
Mas, a do animal, lutando pela preservação.
É fácil ter retórica,
gostar de ópera,
quando não falta pão.
Louvo toda arte,
cuspida, escarrada e expelida,
quando ela impera!
Em insuficiente econômica situação.

O coração no vidro.

Coloquei meu coração num vidro.
Observei que nele tem um resíduo.
Por mais que silencie os zunidos,
bem lá no fundo,
fundo dele,
tem o resíduo.
Interessante.
Coloquei o vidro na estante.
Quem sabe, ele mude de interesse se cercado de livros.
Mesmo com a transparência,
absorvendo nomes de opulência,
o resíduo teima por sua sobrevivência,
abrindo mão de toda ciência.
Tentei colocá-lo no armário,
quem sabe as roupas poderiam sugerir outro fardo,
mesmo assim,
sem resultado.
O resíduo é tudo o que não sou, o que não sei,
que não me encaixo,
é toda notícia espaçada do passado,
o resíduo é você,
a única forma de te ter ao meu lado.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Curetagem

Saiu de mim o que era parte e o que era todo.
Absorveu com fúria,
cuspiu com fogo.
De toda ferida,
não me sinto nem da metade refeita.
Poderia ter quebrado qualquer osso do meu corpo,
que não me sentiria satisfeita.
Por que o amor conhece chances que não se realizam?
Partiu a incondicionalidade,
o coração,
e, talvez,
o pouco de sanidade.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

"Praise"

Não me julgue,
por sempre te trazer ao meu lado.
Não me castigue,
pelo sonho impensado.
Não me maltrate,
por a gente não ter conversado.
Não olhe de soslaio,
a companhia é certeira,
em qualquer estado.
Não se assuste,
com os grãos da ampulheta.
Os montes se formam,
vem e vão...
Coloco minha força para saber de notícias que não entendo.
Observo tentativas idênticas.
Mundos afins.
Correspondência gêmea.
A melhor anunciação atravessou todos os mares.
Reunimo-nos para a celebração.
É sempre assim,
comemora-se uma colheita,
chora-se uma relação desfeita.